COLETÂNEAS

O quem depois? - Poemas

O mundo não será o mesmo depois dessa pandemia. Disso, todos nós sabemos. Mas, afinal, como será esse mundo? Que feições exatamente terá? Mais solidário, ou competitivo como sempre? A humanidade será mais humana? Acreditaremos mais em nós mesmos, acalentaremos com mais vigor a esperança de um mundo melhor? Como cada um de nós imagina os cenários em que viverão nossos descendentes? Será um tempo melhor para avós e netos? Crianças, idosos serão, enfim, respeitados? A mulher, o negro, como serão tratados? Com o escárnio e o preconceito de sempre? Diminuirão os índices de feminicídio e o extermínio dos povos indígenas cessará? Ah, os gêneros… Enfim, o homem compreenderá todos aqueles que anseiam a liberdade de serem como são, independentes da sexualidade que tenham ou escolham? E o meio ambiente? Teremos um olhar mais cuidadoso com rios, matas e florestas? E com cidades, educação, cultura e arte?

São inúmeras as perguntas que evolam pelo ar e nos desafiam a respostas que, muitas vezes, não sabemos com o intelecto. Diante de tantas incertezas, falece a razão. Respostas seguras e certas, ninguém as tem. Resta-nos alguma saída? O que vem depois?

Convocamos, então, os poetas. Eles e sua arte. Eles trazem, desde o berço, uma magia oculta na alma e no coração. E neles inaugura-se um fio de voz, qual nascente de rio, que, aos poucos, se avoluma enquanto corre mundo afora. Um rio, sendo o mesmo, nunca é igual. Quieto na aparência do seu dorso, em sua entranha revolvem-se mistérios de peixes, líquens, musgo, seixos e areia. Assim, os poetas. Que têm o dom de cachoeirar as palavras e, ao mesmo tempo, deitá-las no berço do vento. Para que voem, álacres, e levem a boa nova aos quatro cantos da Terra.

Esse fingidor - na voz de Pessoa - saberá trazer o encanto ou dourar o desencanto do seu olhar por sobre esses tempos difíceis em que vivemos? Espremidos entre dois vírus, um governante e outro que nos quer desgovernar. A vacina poesia - quem sabe - poderá nos curar a alma? Aplacar um pouco essa dor surda a gritar tão forte em nós? Poetas - ou profetas – serão estes a empunhar a espada, a palavra, o verbo, o fiat e se lançar ao combate aos cavaleiros desse Apocalipse que nos atropela? O que vem depois? Que outras lutas haveremos de travar?

O amanhã é incerto, sabemos. Mas a poesia pode ter o dom de esperançar. Ou deixar sangrar a descrença que a muitos, abate. O que dizer mais? Cabe-nos gonçalvear os dias no peito, como bravos tamoios: “não chores, meu filho, não chores que a vida é luta renhida: viver é lutar, a vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos, só pode exaltar.”

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